terça-feira, 10 de julho de 2007

Olfato 2

Depois de quase uma semana privada de qualquer odor que me adentrasse as narinas, eis que finalmente consegui respirar fundo (er... nem tanto) e sentir o mundo pelo meu sentido favorito.

Desci à rua, e ao primeiro inalar, veio aquele aroma que me faz lembrar que é hora do almoço. Quantos e quantos restaurantes estariam cozinhando e servindo refeições aqui na região?

Atravessando a rua, o cheiro de gasolina vindo do posto, o cheiro da grama cujo orvalho ainda está evaporando, o cheiro da terra úmida em um canteiro na calçada. No outro quarteirão, a tapioca sendo feita naquele instante, humm, doce de leite. Huh? Querosene? Estão limpando o orelhão, seria isso?

Agradáveis ou desagradáveis, eram cheiros. Finalmente voltei a senti-los!

E nesse alegre respirar fundo (não tão fundo), voltando a investigar o mundo com meu nariz meio esfolado, eis que passa um rapaz. Não sei quem era. Mas o perfume... ah, era o perfume.

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quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Cheiro de Saudade

Até poucas horas atrás, esse cheiro de saudade fechava meus olhos, fazia-me reviver momentos de felicidade. Eram encantos e desencantos misturados a esse doce cheiro.

De repente, o cheiro de saudade, que antes tinha nome de um homem e marcas profundas de paixão, passou a ter nome de frasco e marca comercial.

Agora meu cheiro de saudade perdeu o encanto. Virou apenas um vidro em uma prateleira.

Senti-lo não mais me faz pensar em algo sobrenatural, como alguém enviando um sinal olfativo para não ser esquecido: É apenas mais um ser humano que comprou o perfume em um frasco na lojinha da esquina.

Pior: aquela loja comum que me faz espirrar sempre que passo em sua frente!!!

Meu cheiro de saudade virou cheiro de perfume.


"Cause things are gonna change so fast
All the white horses have gone ahead
I tell you that I'll always want you near
You say that things change, my dear"
Tori Amos, "Winter"

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